sexta-feira, 24 de julho de 2009

Saudoso Sonho




Escorridas folhas nos telhados frios
Mil pedrinhas áureas a boiar no céu
E entre as alvas nuvens canta alto o cio
A formosa dama com seu claro véu

Flui azul, azul, dos “Tupaius” o rio
Tão sereno e frio (tão sereno e frio...)
Dez mil amavios o enfeitam em par
E no breu, no sombrio
Ouve o triste assovio do bacurau quando
A lua se mostra tão cheia e vistosa (parece se inflar)
E quando nos cobre de prata e de encanto esta mata parece inundar.

É se por na janela em companhia da vela, que ameaça apagar
Olha o céu todo pingado de pérolas a competir com o majestoso luar
Respira, sente esse ar, essa terra tão boa, tão mágica
As pessoas, as plantas o rio
Os festejos, os pratos e os cantos

Santarém, meu amor, se eu te deixo...
...em carmim se converte meu pranto.


24.07.09
Bruno Luan Teixeira Barreto

domingo, 12 de julho de 2009

Presságio

Um passo prevê
Aventura
Porque já basta tanta
Timidez
Aflora a fúria já domada da
Boemia

Saboreando cada canto da
Cidade
E aproveitando a calidez da
Mocidade
De cada
Moça e samba e cada festa
De cada riso, pranto
Amor e fossa
Fruir de gota a gota
Toda a
Vida.

06/2008.
Bruno Luan Teixeira Barreto.

O cinza dos dias




Nasceu o dia, branco e gélido
O sol oculto e seu vil reflexo
No vento corre tão bravo e lépido
Um sono plácido e um coro angélico

Cartas, letras, saudade fria:
De fotos, perfumes, cores de dias
Lembranças, angústias, folias, folias!

Nas nuvens passeia um gesto patético
Um sol flutuante fulgura maléfico
As plantas balançam ao vento fonético
E planam as aves no tom cianético

Músicas, falas e a casa vazia
De sonhos, costumes, dores, de vidas
Cobranças, volúpias, fobias, fobias!

19.04.09
Bruno Luan Teixeira Barreto

quinta-feira, 25 de junho de 2009

O Barquinho

O barquinho partiu
Mas partiu pelo azul
E o verde do rio
Os pescadores voam e os homens
Cochilam tranqüilos
O barquinho sumiu no horizonte
Barrento
Pra quem fica a cidade parece lembrança
Os homens navegam
E as árvores passam tranqüilas
O barquinho chegou no destino
E atracou no pé da serra
A carga dos homens ficou
Com a força bruta no chão de terra
E o barquinho no porto deixou
Vida pura, sonhar, ilusão.

Bruno Luan Teixeira Barreto
06/2009.

Esperada

A espera é longa, pois que se faz num ano
Um decênio, e num minuto, inúmeros lamentos
Vem-me aflorar como se fosse engano
E a torturar-me a’ngústia o pensamento

Desde que minto escrevo muita coisa
No ar, na folha ou mesmo em vida crua
Que, pois, andando falo à brisa à lua
Quanta vontade de paixão me toma!

Repito os dias todos os mesmos olhares
Peço que se, por favor, me notares
Mais do que a luz do teu sorrir me dê!

Mesmo que cega, surda, morta esteja à fala
Não sairá da minha boca uma palavra
Qualquer sinal de mal contra você.

Bruno Luan Teixeira Barreto
06/2009.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Jeremia

Duma vez vi:
O sol, os pássaro e as mata-verde convresandu.
O sol já se ia embora, enquanto a mata dizia num arzinho de canturia:
- Foi-se o dia!
E os pássaro em revuada cantavu cum alegria:
- Andorinha, andorinha!
Foi daí qui tudo si calo,
E minha muié mi chamô:
- Acorda ô Jeremia!

24/07/07 - Bruno Teixeira Barreto

Música e Sono

Esboços
Desenhos
Riscos
Rabiscos
Bocejos
Cômodos
Muros
Ladrilhos
Plantas
Gaiolas
Pássaros
Vinhos
Sussurros
Pulos
Prantos
Caminhos
Santo
Acalanto
Música
Sono
Pedra
Capela
Fala
Castigo

04/2009 - Bruno Teixeira Barreto

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Vid'Agora

Que me resta agora?
Escrevo
É o que me resta.
Redijo as linhas agora
Linhas grossas e brutas
Palavras de mil
Faces ocultas
Agora o que me pesa
É o verso
Curto, puro, aleatório
Invento!
Creio que agora não acredito mais
Posto que agora intransponível traz
O meu destino a minha última
Esperança
E o que falta agora
Essa maldita ânsia
Viver
Viver
VIVER O AGORA!

13/04/09
Bruno Luan Teixeira Barreto

terça-feira, 14 de abril de 2009

Solidão

Falta-me a coragem dos loucos
(não a loucura)
Falta-me a rigidez dos brutos
(não a brutalidade dos poetas)
Falta-me a expressão dos extrovertidos
(não a poesia)
Falta-me um amor que me queira
(não amores que queira eu)
Sobra-me
Angústia e melancolia
Falta-me a ausência da
Solidão.

21/09/07
Bruno Luan Teixeira Barreto

quarta-feira, 25 de março de 2009

Infância da Vida

Aí que saudades!
Do tempo
Que’u fazia estripulia
Corria no quintal de terra
Comia goiab’i’laranja das árvore que ali tinha
Da minha’vó me dizendo:
- Não corre atrás das galinha!
Dos quitutes saborosos, que a mãe da mamãe fazia
Das castanha-de-sapucaia
Docinhas, docinhas
Da voz dengosa e suave da minha tia e vizinha
Das brincadeiras na rua
Das curica solta à brisa
Da mesa cheia de gente
Da casa nunca vazia
Aí de mim, se matasse
Saudades ter de alegrias
A sete palmos, há tempos, com certeza eu estaria.
Aí que saudades eu tenho da minha
Infância vivida.

27/07/07
Bruno Luan Teixeira Barreto

O mendigo

- Dá u’a’juda aí patrão!
- Quê?!
- Ajuda um pobri coitado...
- Toma!
.......................................................
Tilintar de níqueis e apressar de passos na calçada.

27/07/07
Bruno Luan Teixeira Barreto

Trabalho noturno

Lua plena (vigia-me)
Café, café, café...
Deveres-de-casa
Máquina-de-escrever:
T R A B A L H O D E H I S T Ó R I A
(Introdução)
(Desenvolvimento)
(Conclusão)
Lembrar de esquecer (sem querer)
Bocejos, bocejos, bocejos...
Analgésicos
Sono (sem sonhos)
Mau-humor pela
Manhã.

27/09/07
Bruno Luan Teixeira Barreto

Sinestesia

O toque gélido do
Nervosismo arrepia-me os pêlos.
Estremece-me os dedos tortos e suados
E a vertigem me confunde os sentidos

A brisa ardente do
Sussurro atiça-me os
Instintos
E o vermelho-sangue mancha-me
A face em chamas dançantes
Ao som doce, levemente rosado
Pelo Sol poente do
Coração-brasa-sonhador

O toque silencioso
Pele na pele
Queima-me todo
Em tons rubros
Flamejantes
Atenuados pelas cores frias da
Lua
Lua – exímia observadora
Das paixões multicoloridas.

20/09/07
Bruno Luan Teixeira Barreto

Reza de pé no chão

Reza contrito
Com muita fé
Reza:
- Ó! Meu Jesus di Nazaré!
Reza com muita fé:
- Pai Nosso que’stais nu cér...
Reza o terço:
- Ave Maria...
De mãos cintas
De mãos dadas
De joelhos
De pé:
- Onde houvé dúvida qui eu léve a fé!

29/08/07
Bruno Luan Teixeira Barreto

O Vento

Leva consigo as mágoas póstumas ou ainda viventes
Guia a vida à
Luz ao
Abismo escuro
Afaga
Conforta
Ressuscita lembranças
Conduz a chuva
Renova a vida, levando os restos da
Morte inertes na terra fria

02/05/07
Bruno Luan Teixeira Barreto

Rosa

Imóvel
Observa-me
Linda (observa-me)
Observo-a
Rosa
Clara do jardim
Perfumada (perfuma-me)
Frágil
Leve
Rosa (rosa-me)
Com suas pétalas mosqueadas de orvalho brilhante
Com os fúlgidos
Carinhos dos raios
Solares.

05/10/07
Bruno Luan Teixeira Barreto

quarta-feira, 18 de março de 2009

Fals’Aurora

Embora agora
Eu vá embora:
- Vou-me’mbora!

Outrora o agora
Era’aurora
Sorrias linda
Linda Aurora

Ora mato
Ora rosa
Ora são
Ora ferido
- Vou-me’mbora!
Agora Aurora
Morta fria
Sem sorrisos

Ora pedra
Ora veludo
- Vou-me’mbora!
- Vou-me agora!

- Ora bolas!
Linda Aurora
Tu que outrora partia
Meu amor puro e singelo
Ora Deusa
Ora Porca
- Vou-me’mbora desse inferno!

21/08/07
Bruno Luan Teixeira Barreto

Sobressaltos

De sobressalto empunho
O grafite desgastado
Então somente
Escrevo:
A musicalidade
A informalidade
Ao patriotismo
A verdade

De sobressalto
Vem-me o sobressalto
Então empunho
O grafite desgastado
A escrever os sobressaltos
Que me vem.

27/07/07
Bruno Luan Teixeira Barreto

Morte a morte

Da tristeza fez-se
O pranto
Da vingança fez-se o ódio
O ódio – irmão da morte
A morte – que mata e come, sem ver quem vê pela frente

E da vida fez-se de súbito
O pó
Do campo fez-se
O deserto só
Da brisa fez-se
O vento que matou a plantação

Do sustento fez-se
A grana
E da grana fez-se
A gana – prima da’mbição
Ambição dos ricos homens que
Queimam
Matam e
Comem
A vida viva do chão

E da tristeza fez-se
O pranto
E do pranto fez-se
O canto
Triste da santa cruz.

26/08/07
Bruno Luan Teixeira Barreto

Alguma Poesia

Lá d’altura do colosso de concreto
Observo o trânsito dos carros
Lentamente vão andando um pouco
Vão fugindo do sinal fechado

Vejo as luzes noturnas da cidade
Vejo ao longe o templo dos patetas
Penso em tantas rimas, tantos versos
Penso em tantas composições poéticas

Mas se me punha a escrever o que pensava
Tudo me escapava, me fugia
Queira Deus que em toda a minha vida deixe aqui
Alguma poesia.

29/08/07
Bruno Luan Teixeira Barreto

Fusão da tarde

Eram vozes, e não ruídos que me incomodavam
Miscigenação vocal na sala
Olhava o tempo fixamente
E as nuvens, acetinadas pelo sol, flutuavam majestosas
O calor era insuportável (todos suportavam-no reclamando):
- Tá muito quente...pelo amor de Deus!
Ao longe os operários martelavam
Martelava também eu, aflito:
Bate campa
Bate logo
Que eu num
Guento mais
A aula
Desse professor
Cansado
Passa tempo
Passa logo
Que eu me quero
Ir pra casa.

Chuviscou aquela tarde, quente como todas as outras tardes.
A tarde uniu-se a noite
E a noite assassinou-a
Friamente

Bruno Luan Teixeira Barreto